....SOMBRA BRANCA..WHITE SHADOW....

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Susana de Sousa Dias
Documentário, 2016

* em pós-produção

Sombra Branca tem como ponto de partida os álbuns de fotografias da família de Laura e Jaime Serra, antigos clandestinos dos tempos da ditadura. Durante os 27 anos em que viveram sob identidades falsas, tiveram quatro filhos. O seu dia a dia está bem documentado nas imagens. Tudo seria normal, não fosse o paradoxo: como ditavam as regras, esta família não devia ser fotografada. Tratando-se de clandestinos, a simples existência de uma imagem podia arruinar todo o disfarce. Dentro deste paradoxo, contudo, esconde-se um outro: estas são imagens que nos mostram uma família convencional, feliz e unida, dentro dos moldes ditados pelos costumes e pelos tradicionais clichés de representações familiares dos anos 50 e 60.

E no entanto, nada podia estar mais longe da realidade.

Mergulhada na clandestinidade devido à ditadura, a família viu-se várias vezes separada. Momentos houve em que os filhos já não reconheciam sequer o rosto dos pais. Só após a revolução do 25 de Abril, se puderam reencontrar, todos, simultaneamente, no mesmo espaço.

Nada disso nos mostram os álbuns de família. Na verdade, sabemos hoje bem o que nos escondem estas imagens. Mas o que nos revelam elas, afinal?

A partir das imagens e do discurso fotográfico que lhes está subjacente, Sombra Branca procura reflectir sobre a condição da clandestinidade e o papel da imagem como mediação entre a «realidade real» e a «realidade construída», assim mesmo designadas por José, filho de Laura e Jaime.
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Susana de Sousa Dias
Documentary, 2016

* in post-production

Sombra Branca has as its starting point the photo albums of the family of Laura and Jaime Serra, former clandestine people in the period of the dictatorship. During the 27 years they lived under false identities, they had four children. Their daily life is well documented in the images. Everything would be normal, were it not for the paradox: according to the rules  this family should not be photographed. Being clandestine, the mere existence of one image could ruin the whole disguise. Within this paradox, however, another is hidden: these are images that show us a conventional family, happy and united, within the molds dictated by the customs and traditional clichés of family representations of the fifties and sixties.

And yet, nothing could be further from the truth.

Steeped in clandestinity because of the dictatorship, the family found itself torn apart on several occasions. There were times when the children no longer recognized the faces of their parents. Only after the revolution of the 25th of April, were they able to all meet simultaneously in the same space.

The family albums show us none of this. In fact, we know today what these images hide from us. But what do they actually tell us, anyway?

From the images and the photographic discourse that underlies them, White Shadow seeks to reflect on the condition of clandestinity and the role of image as mediation between "real reality" and "constructed reality", as it is called by José, son of Laura and Jaime.
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