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"Um ensaio altamente sensível e belíssimo sobre a vida dos presos políticos durante a ditadura de Salazar em Portugal (1926-1974) e os efeitos devastadores que essa repressão teve sobre seus filhos.
Materialmente, o filme é construído a partir de duas fontes principais: as fotografias dos prisioneiros tiradas pela Polícia de Defesa do Estado de Portugal e os depoimentos gravados dos filhos dos prisioneiros, recordando as suas experiências. Nas mãos de Sousa Dias, esta combinação formal é devastadoramente simples e eficaz, um modelo de rigor e inteligência fílmica."

Essay Fim Festival, London

 

"O dispositivo alterna fotografias de prisões e planos fixos de rara beleza sobre diferentes elementos naturais, como o plano inaugural em preto e branco, encerrando as variações das ondas em si próprias. Encontramos o elemento aquoso, metáfora de um inconsciente colectivo abrangendo o desaparecimento e a difícil busca da memória. (...) Esse trabalho de regeneração do passado endossa, a esses documentos e fotografias, um papel ético de atestação de gestos autoritários de dissimulação e aniquilação das provas."

Débordements, Clement Dumas

 

"Luz Obscura é um ensaio sensível sobre memória e tempo (...) reflectindo sobre o poder da fotografia como uma arma de controle e vigilância (…) Preto e branco, luminoso e escuro, Luz Obscura afecta-nos visual e empiricamente."

DesistFilm, Ivonne Sheen

 

"Como em 48, o efeito emocional é poderoso. (…) Com recursos mínimos e resultados máximos, Susana de Sousa Dias coloca a arte e os arquivos a serviço da história pública."

Carmattos, Carlos Alberto Matos

 

"Natureza Morta, 48 e Luz Obscura trabalham juntos da maneira como os filmes de qualquer grande realizador trabalham juntos: são peças de uma exploração maior que se preocupa com um assunto ou material geral e a busca da forma que melhor se encaixa nesse material, ou seja, como usar imagem e som para contar essa história. (…) Sousa Dias é uma cineasta que explora, mais do que responde, a essas questões e a sua exploração é uma dádiva para todos nós."

Senses of Cinema, Libertad Gills

 

"A forma singular deste filme adapta-se com mestria ao ritmo dessas vozes humanas, muito humanas, e à gravidade da sua história."

Les Rendez-vous de l’Histoire, Dimitri Vezyroglou

  

"(...) [em Luz Obscura] a cineasta encontra uma forma que restitui, de forma admirável, a identidade familiar genealógica, histórica e fisicamente fracturada."

Cinéma du Réel, Charlotte Garson

 

"À iconografia da infâmia própria às fotografias judiciárias, a cineasta opõe a singularidade das lembranças e das biografias. 
É a memória dos mortos que emerge das palavras dos filhos e da filha, essa memória que não tem outro lugar senão as palavras dos testemunhos. 
O presente da enunciação conjugado com o arquivo escava uma fenda na linha do tempo por meio de uma montagem que assenta sobretudo na vertigem da memória: um paradoxo que liga à intimidade dos relatos familiares a violência repetida do desaparecimento dos falecidos, duas vezes mortos, pela ditadura e pelo esquecimento."

 Territoires de la Mémoire, Lussas, Alice Leroy

 

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